Pois é, e se de repente houvesse uma máquina que transforma cartões de plástico (daqueles merdosos, que os gajos das bombas de gasolina e dos supermercados dão) em palhetas de guitarra novinhas em folha? Era bonito, não era? A MTV achou o mesmo, e a magia aconteceu em São Paulo:
quarta-feira, 2 de maio de 2012
terça-feira, 1 de maio de 2012
E agora, Benfica?
E assim mais uma época termina, da mesma forma que temos vindo a ser habituados. Taça da Liga, campeonato para o norte, segundo lugar, e nada de títulos relevantes. Agora vem o Euro, as cenouras, e o benfiquista começa a empolar o seu entusiasmo com a próxima época. Nada de novo. ERRADO. Não podemos cair neste marasmo.
Falemos de Vieira. Presidente à antiga: persistente, dedicado, muita força mas pouco cérebro. Prometeu mundos e fundos - prometeu que com ele, o Benfica seria de novo o clube de mais sucesso em Portugal; prometeu que o Benfica não ganharia um título de longe a longe, mas consecutivamente; e prometeu que o Benfica seria uma potência europeia. Falhou, falhou e falhou. Vieira fez de facto um trabalho notável com a marca Benfica, conseguiu devolver o Benfica às lutas pelo poleiro e conseguiu que o nome Benfica fosse de novo respeitado interna e externamente. Dou-lhe todo o mérito e agradeço por isso, fique claro. Mas os objectivos a que se propôs não foram atingidos, portanto devia ser Vieira o primeiro a reconhecer que falhou e o primeiro a dirigir-se à porta de saída, porta essa que seria a grande se o fizesse agora, e de forma voluntária. Apenas poderá não reconhecer o quanto o Benfica mudou com LFV quem não viu o Benfica das operações coração e dos 6ºs lugares no campeonato.
Agora Jorge Jesus, o homem do presidente. O caso é gritantemente parecido. Só pode não aplaudir Jesus quem não viu o Benfica dos Quiques, dos Fernando Santos, dos Koemans e por aí adiante. Jesus chegou, prometeu que com ele o Benfica renderia o dobro, e no ano seguinte foi campeão de forma categórica - e com direito a "nota artística", como diria ele próprio. Esteve no topo, aplaudido em pé no estádio e enaltecido na imprensa. Bem... Na minha honesta opinião, este foi exactamente o ponto de viragem e o grande pecado de Jorge Jesus: não soube lidar com o sucesso; quando finalmente o atingiu julgou-se no topo, e julgou que uma vez que estava em cima do pedestal, seria para sempre. Na época passada, perdeu Ramires e achou que não precisava de um 8, mas sim de um extremo - sim, porque para a frente é que é bonito. Além disto, um guarda-redes de qualidade 'reconhecida' que a dupla maravilha (Vieira e Jesus) foi desencantar nesse colosso que é hoje o Atlético de Madrid, apenas e só pela pechincha de 8,5M€.
Nas primeiras 5 jornadas, o Benfica entregou de bandeja o título ao FCP de Villas Boas. E Jesus desculpou-se com tudo, desde o Mundial à falta de entrosamento. Pelo meio vimos Salvio, Coentrão, uma série interessante de vitórias e uma Champions de fazer corar o fantasma de Cosme Damião. Jesus estragou tudo, cometeu erros e foi vítima dos mesmos. Invariavelmente, as culpas morreram solteiras e o Terceiro Anel engoliu em seco três murros no estômago - os 5-0 no Dragão, a reviravolta da Taça e a conquista do campeonato pelo FCP em pleno Estádio da Luz. Os benfiquistas engoliram a custo, mas confiaram em Jesus.
Este ano, Jesus acordou empenhado em não cometer erros do passado: reforçou-se bem na frente de ataque, dispensou algum peso morto que ele mesmo tinha adquirido na época anterior, contratou Garay para cobrir David Luiz, e... E... Nada. Nas laterais, nada. Na direita, Maxi é rei e senhor. Como substitutos, Amorim e depois Witsel, ambos médios. Não sei o que pode eventualmente ser dito sobre isto, mas quanto a mim é absolutamente ridículo que uma equipa com o orçamento do Benfica não tenha um substituto que seja pelo menos rotinado com a posição. Choca-me, em boa verdade. Como me choca que um jogador com o calo e o traquejo de Capdevila seja preterido da lista da Champions, onde mais uma vez o lateral titular foi opção única - e que lateral, senhores. Por alguma razão que confesso me fugir ainda, Jorge Jesus achou que este brasileiro Emerson seria um jogador para se impôr numa equipa como o Benfica. Quando muito, Emerson tem qualidade para ser um substituto, nada mais. E Jesus insistiu cegamente nele durante a época inteira, assumindo manifestamente uma posição contra o coro do Terceiro Anel - nada a dizer, o treinador está lá para assumir posições e tomar decisões. Emerson foi um par e uma decisão de Jesus, e quanto a mim foi exactamente esta dupla quem nos custou o campeonato - por exemplo no jogo na Luz contra o FCP, com uma expulsão a que o mesmo JJ não conseguiu responder por não ter nenhum defesa no banco. Emerson, Saviola, Nolito, Miguel Vitor - todos eles foram erros crassos de Jorge Jesus, uns pela positiva e outros pela negativa. Jesus falhou, estatelou-se redondo no chão, e agora tem que assumir as suas culpas. Coisa que não fará, porque é demasiado orgulhoso, presunçoso e casmurro.
Com culpas assumidas ou não, devemos ter consciência que a fase de estes dois senhores chegou ao final. Independentemente de terem feito grandes coisas pelo Benfica. A Vieira reconheço-lhe o trabalho com a marca Benfica e o regresso aos grandes palcos. A Jesus, os bons momentos de futebol que proporcionou, o título que conquistou, e a potenciação de jogadores como Coentrão, David Luiz ou Di Maria. Mas ambos falharam redondamente nos seus propósitos, foram eficientes mas não eficazes. O Benfica vive de títulos, a nossa grandeza e história assim nos exige. E é exactamente isso que temos que almejar sempre. A ambos, um desejo honesto em forma de apelo: saiam por vosso próprio pé, saiam pela porta grande.
Apenas nós, os Benfiquistas, somos eternos. As fases e as épocas vão passando, as más e as boas, e nós continuaremos cá. De pedra e cal, incondicionalmente, com a fé de quem acredita numa religião. Connosco ficará para sempre apenas o nosso estádio, a nossa gente, o nosso símbolo e a nossa história. Os nossos Eusébio, Chalana, Rui Costa, Nuno Gomes, e todos os outros. E nós, iguais a eles. Benfiquistas até ao osso. Doa o que doer.
domingo, 29 de abril de 2012
Liberdade? Mas qual?
Não, este não é um texto sobre o 25 de Abril, nem sobre a forma como os nossos governantes nos estão a tirar a dita cuja. Também podia ser, mas hoje é Domingo, por amor de Deus... Deixemos essa conta para outro rosário.
Ontem tive o prazer de ouvir alguém falar sobre o conceito "lean thinking" (= pensar magro). Confesso que o conceito não me é completamente novo, nem tão pouco foi ontem que aprendi a gostar desta filosofia. De forma rápida, e explicando-como-se-fossem-todos-muito-burros (que evidentemente não são) este conceito argumenta que uma empresa deve ser magra, deve ser o menos comprometida possível quando não necessita de o ser - isto é, deve evitar ao máximo os custos fixos e os desperdícios, de forma a que consiga ser magra o suficiente para estar livre de "gorduras" inúteis; e deve ser ágil o suficiente para mudar o rumo dos acontecimentos num curto espaço de tempo se assim pretender ou for obrigada.
De qualquer forma, dei por mim no meu caminho de volta a pensar no quanto esta filosofia se aplica ou se poderia aplicar também a vidas pessoais. E no quanto os compromissos, ou pessoas, ou bens materiais nos tolhem os movimentos e nos amarram à cerca. Atire a primeira pedra quem nunca pensou "qualquer dia mando isto tudo para o caralho e vou-me embora". E insisto com outra retórica: quem nunca encontrou logo a seguir um grande, imponente "MAS" como obstáculo, nesse curto caminho?
Entre os muitos que vamos sendo, julgo que escasseia ou falta a pessoa que pode dar-se ao luxo de mudar de vida de hoje para amanhã. Porque todos têm um emprego que não pode "abandonar assim", ou um empréstimo de um carro do qual não se pode "desistir assim", ou uma casa que não podem "vender assim", ou simplesmente alguém que não podem largar "assim" nem de outra forma qualquer. No fundo estamos presos - presos a uma realidade virtual na qual entramos de livre espontânea vontade. A pura sensação de liberdade e livre-arbítrio que possamos de longe a longe eventualmente sentir não é senão uma utopia. Não nos vemos entrar e só reparamos quando já lá estamos; e o pior é que quase sempre não há breadcrumbs para nos levar de volta.
Haverá liberdade mais pura do que a dos "magros", os tais pobres que nada têm, do desimpedido, do que pode simplesmente ir porque lhe apetece ir, o fazer apenas porque quer fazer? Seremos realmente, e em termos lógicos, donos da nossa própria liberdade? Ou apenas cachorrinhos agarrados à cerca, com o mundo à vista mas fora de alcance?
domingo, 22 de abril de 2012
Saxofones no Upper West Side, NYC
"As we were walking by, Mickey asked these two kids (strangers) if they'd play us a song...wait till you see what happens in the end. Turns out their names are Eddie Barbash and Jesse Scheinin--They're both geniuses and now were friends. Upper West Side, Manhattan. New York City. First day of spring. 2009."
Se há no mundo um sítio encantado onde estas coisas acontecem mais frequentemente, é em NYC. Mas quero acreditar que isto pode acontecer em qualquer sítio do mundo, seja ele uma pequena vila ou uma grande cidade, quando as barreiras sociais e a timidez se quebrarem da forma que se quebram em NYC. Uma questão de mentalidades.
sábado, 21 de abril de 2012
Calma... Ainda estou cá eu!
Cristiano Ronaldo. Seguramente, não é o melhor jogador do mundo, pelo menos não na minha modesta opinião. Mas é definitivamente um dos jogadores, de entre todos que vi, que melhor maximizou o seu potencial. Se dá para fazer, Ronaldo tenta, tenta até conseguir. Tentou em Manchester quando todos pensaram que não era capaz, e conseguiu. Tentou em Madrid, quando parecia impossível, e conseguiu. Superar Messi é tarefa hercúlea, a roçar o impossível até. Talvez Ronaldo nunca consiga, é provável que assim aconteça. Mas tenho a certeza que no final da sua carreira, em todas as noites do resto da sua vida se deitará de consciência tranquila, com a paz de quem fez tudo o que podia para lá chegar. É um exemplo de determinação, de persistência e de trabalho.
Hoje foi rei em plena casa do arqui-rival, levando o Real Madrid a uma vitória que vale mais do que três pontos - vale o orgulho, a fé e o grito de revolta de um clube que sabe pertencer ao topo mais alto da tabela. E disse a todos os que quiseram ouvir: "Calma... Calma que ainda estou cá eu! Calma!". E este gesto diz tudo, tudo sobre o jogo, sobre o campeonato, e principalmente tudo sobre a carreira de Ronaldo e o sonho de voltar a ser Bola de Ouro. Oxalá consiga. É fibra da nossa fibra, sangue do nosso sangue, nervo do nosso nervo. Se dá para fazer... Ronaldo fará. Ou pelo menos tentará, até que as pernas lhe falhem.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
De Sarkozy e o 'caso Patek'
Place de la Concorde, Paris. Sarkozy discursa. De expressão honesta, balbucia mais 3 ou 4 tretas antes de terminar o discurso. Algo sobre heróis franceses, e a forma como a França se irá tornar uma referência em termos de taxação fiscal, e sobre solidariedade, e sobre cooperação com todos os países do mundo. Demagogia, em dose de cavalo. O público, esse delira. Sarkozy acena, sorridente! Decide descer e cumprimentar em mão o seu público. Um, dois, três, quatro cumprimentos, cinco, seis, e 'hey!, que merda é esta, foda-se!!' - diz para si o presidente, incrédulo! Alguém lhe puxou o relógio enquanto cumprimentava a multidão... No pulso, traz um Patek Philippe avaliado em 50 mil euros, ouro branco, oferecido por sua querida esposa Carla Bruni. Com cara de poucos amigos, Sarkozy tira discretamente o relógio e deposita-o no seu bolso direito.
E pronto, nisto cai-lhe o mundo em cima. Não na mesma hora, mas durante o dia de hoje, em que a televisão mostrou imagens reveladoras do acontecimento. Porque é uma atitude snob, e porque não confia na bondade das pessoas, e porque acha que é bom demais para expôr o seu relógio à raia miúda. Sempre dentro deste tom, uma torrente de críticas por essa web fora. Ora bem, portanto recapitulemos: o admissível, expectável ou até - já agora - exigível a Sarkozy seria que portanto continuasse a usar o seu relógio de colecção, com todo o respeito e confiança na multidão, só para o caso de mais um ou outro meliante lhe achar um piadão e conseguir, caso assim decida, levá-lo consigo para um passeio. Mas porque não? Afinal, no bolso dos outros qualquer um manda e comanda, não custa nada... Que mal traria ao mundo que o presidente francês ficasse sem um relógio de tal valor? Não ia doer a ninguém, certo? Então vamos lá armar-nos um bocadito ao pingarelho moralista e crente na humanidade, que fica sempre bem com a decoração.
É bizarra a forma como a imprensa e a opinião pública conseguem ser hipócritas quando vêm a mais pequena, ligeira e ínfima possibilidade de fazer sangue. Incrível. Quase, quase tão incrível como o Patek do Sr. Sarkozy. Quaaaaaaase.
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