sábado, 4 de agosto de 2012

Chapéus há poucos...



Aqui há tempos mostrei cá no blog uma foto de Alicante, com uma gloriosa instalação de chapéus de chuva (ou de sol?) ensombrando uma rua do centro da cidade. Pois bem, desta feita é 'nossa' Águeda quem se enche de vaidade e copia a iniciativa, conseguindo um resultado ainda mais encantador que o dos nossos vizinhos espanhóis. 

Eu cá acho importante que as cidades portuguesas se encham de criatividade e dêem de facto o devido valor a este tipo de iniciativas. Poderá à partida fazer espécie a muita gente sobre o que a cidade ganha realmente com isto, já que proveito aparente só mesmo a sombra. Mas na verdade, uma iniciativa deste género trouxe a pequena cidade para as luzes da ribalta, veio publicitá-la e posicioná-la. Falando por mim, acho que faz anos que não ouvia falar de Águeda. É pouco provável que a cidade se vá encher de turistas de uma hora para a outra, por causa disto - mas alguns hão de aparecer, seguramente. E talvez gostem do que a cidade tem para oferecer, e talvez voltem. E talvez convidem amigos a lá ir com eles, ou talvez lhes indiquem o que visitar. Há essa possibilidade e probabilidade, por remota e escassa que possa ser. Sem os chapéus de sol, não haveria. No meio disto tudo, Águeda só ganha - ganha na economia local, ganha adeptos e simpatizantes, ganha notoriedade e constitui motivo de orgulho para quem lá vive. 

Seria importante que os nossos 'energúmenos' - leia-se autarcas à Rui Rio - tivessem real noção do que uma iniciativa assim alavanca. Pois bem, é refresco... Aliás, muito poucos têm sequer noção do potencial que têm em mãos, quer em termos de turismo interno quer em termos de atracção de turistas estrangeiros. Há casos gritantes de sub-aproveitamento de recursos neste sentido, assim de repente lembro-me de duas cidades que me são queridas, casos de Braga e Viana do Castelo. Cidades vizinhas, cheias na herança cultural mas vazias na sua exploração. Desde ruínas enterradas a tradições negligenciadas e silenciadas, Braga é perita em abafar a cultura, em destruir a herança em vez de a mostrar ao mundo, quase como o miúdo invejoso que parte o brinquedo para que mais ninguém brinque com ele - mas isso seria ciúme, que implica amor, doçura que a autarquia não mostra ter pela antologia da cidade, não é bom exemplo. Entre uma Capital Europeia da Juventude esforçada (que reconheço ser) mas não talvez não acutilante e anteplaneada como merecia ser, e uma azáfama autárquica para preparar a debandada do autarca-mor, Braga está moribunda de rumo. De plano de marketing, de agenda estratégica. É o principal problema, não seguir um caminho constante... É inegável que Braga se mexe. Isto é, não adormece no tempo, há sempre algo a ser melhorado ou reconstruído - e dou o devido mérito. Mas não se mexe numa direcção específica, mexe-se ora para a direita, ora para trás, ora para a frente, sem rumo nem direcção. Não há um objectivo em torno do qual se una uma equipa em mesa redonda, não há uma linha orientadora - há uma gestão reactiva, em vez de proactiva.

Mas tomara fosse este um problema ao nível local. O problema é nacional, infelizmente. Parte de governos e ministérios corruptos e incompetentes para autarcas corruptos e incompetentes. É uma roda viva, um ciclo vicioso que só mudará quando se mudarem mentalidades. O que não vai ser fácil, a partir do momento que estamos a falar de um país que achou que mudar o nome do Algarve para All Garve lhe iria trazer benefícios no reconhecimento internacional e consequentemente 'charters' de britânicos.

Algo está mal neste país à beira-mar plantado. Estamos no ponto em que a Vila de Óbidos ou a cidade de Águeda conseguem chegar à frente e mostrar como se faz. E isso, amigos, diz muito sobre o conservadorismo que reina e sobre o quão ultrapassados e deslocados estão os autarcas nacionais.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Há os Giggs, e depois há os Saviolas...

Muito se fala da questão da idade num jogador de futebol. Quando um jogador ultrapassa a barreira dos 30 anos, está condenado ao asilo - é uma contagem decrescente de todos os olhos postos em cima do jogador, quase que desejando que finalmente arrume as botas. Mas felizmente, os grandes clubes e selecções mundiais têm vindo a resistir a esta tendência tão ibérica de encostar os jogadores com muitos anos nas pernas. Exemplos como Andrea Pirlo ou Buffon na Juventus e na selecção da Itália, Seedorf, Nesta, Zambrotta, Inzaghi no Milan ou de Scholes e Giggs no United mostram-nos que o futebol acaba quando tem que acabar, não há idade definida. No próprio Benfica, Saviola mostra-nos que não é necessário ser-se trintão para estar acabado para o futebol. A idade é uma variável importante, mas não é certamente a única a definir a longevidade de um jogador. Factores genéticos, sanitários ou de modo de vida muito terão a dizer neste campo também, afinal basta olharmos para Ryan Giggs do alto dos seus 38 anos e a forma como disse há pouco ter numa vida regrada o segredo para a sua longa carreira. E afirmo sem pejo que Giggs faz mais em campo com 38 anos do que Saviola com 29 anos, aliás toda a gente o vê. Isto mostra que depois há uma outra coisa que é também muito importante, a vontade, a motivação, o estado de espírito. Giggs tem, Saviola não tem. 

Há jogadores de quem não se pode esperar um ritmo sempre elevado, como tiveram quando há 5 ou 10 anos atrás. São mais experientes, contudo menos pujantes. Mas há momentos em que a experiência faz a diferença, e neste campo que o diga Inzaghi. E a paixão também faz, que o diga Scholes, regressado de uma carreira terminada para ajudar o meio-campo do United. Paixão pela nossa camisola é coisa que alguns jogadores vão tendo, mas se há coisa que o Benfica nos tem habituado é a não dar o devido valor a quem sua, sente e sofre o símbolo. Os realmente bons são os de fora, os que vêm da América do Sul e que fazem chantagem para se irem embora, ou os que chegam com a promessa de fazer do Benfica uma "ponte aérea" para um tubarão. Choca-me a forma como foi tratado o Nuno Gomes, como foi tratado o Petit, como foi tratado o Leo. Todos eles jogadores que deram tudo pela camisola, mas que de uma forma ou de outra acabaram escorraçados pelas portas fora. De que fibra queremos feita a nossa equipa afinal? Dos mercenários ou dos fiéis, que dão o que têm e não têm? Quem tem afinal o perfil para jogar no Benfica? 

Simão tem. O mesmo Simão que demonstrou a sua vontade de voltar à sua casa, a nossa casa, o Estádio da Luz. O mesmo Simão que é capaz de mostrar ao Nico Gaitán de que fibra é feito um Benfiquista, o mesmo Simão que é capaz de mostrar a esse argentino mandrião que não é só chutar e cruzar, é preciso suar, suar e lutar. Não haverá espaço no Benfica para um jogador experiente e que pode e quer dar o seu contributo? Haverá só espaço para os Saviolas e Gaitáns, que sentem tanto a camisola encarnada como eu sinto a do Boca Juniors?

Simão quer o Benfica, mas o Benfica não quer o Simão. É falso. Quem não quer o Simão é o Jorge Jesus, treinador do Benfica. Nós, a multidão que grita em silêncio, queremos o Simão, queremos o nosso pequeno capitão. Afinal de contas, não foi um velho e acabado Rui Costa que veio passear ainda a sua classe na Catedral com 34 anos? Não será o nosso melhor jogador um mágico com 32 primaveras nas pernas, escrupulosamente as mesmas que o pequeno Simão? Perguntem lá isto ao Jorge Jesus, se faz favor. 

Por mim, volta já. Que saudades tenho do pequeno Capitão a voar baixinho, rente à relva da Catedral...




domingo, 8 de julho de 2012

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Falta de política

Sim, é um post sobre política. Ou sobre a falta dela. 

No nosso caso, o que temos não é política, é falta dela. Porque se houvesse uma política coerente no ramo da Política, alegremente não teríamos mentecaptos ao leme do navio. Não haveriam Engenheiros ao Domingo, não haveriam licenciados-de-um-ano nem teríamos um Primeiro-Ministro que se licenciou aos 36 anos. Não que um canudo seja sinal de competência, mas como não há sinal dela de lado algum seria de esperar que pelo menos de um curriculum académico no mínimo coerente pudesse advir alguma esperança de que estas pessoas sabem realmente o que andam a fazer na casa das máquinas. O que notoriamente, reforço, não é o caso.


O caso de Relvas é gritante. Choca-me saber que estamos a falar de um tal génio que se inscreveu um dia num curso de Direito, onde obteve a brilhante distinção de fazer apenas uma cadeira durante o ano em que lá esteve, com a não menos brilhante classificação de 10 valores. Depois bem, decidiu que o Direito não seria bem a sua cena, e atira-se para uma licenciatura em História de onde saiu com o meritório aproveitamento de 0 (sim, zero) cadeiras concluídas. Pois, talvez Direito e História não sejam bem a cena dele - e que tal Ciências Políticas? Essa sim, a praia dele! De tal forma que acaba uma licenciatura de três anos em apenas um. Meus amigos, estão a gozar com a puta da minha cara não é? Um iluminado que não conseguiu mais do que fazer uma cadeira em dois cursos na prestigiada Universidade Livre chega a uma outra universidade e conclui um curso de 36 cadeiras em apenas um ano lectivo? Com equivalências resultantes "do seu vasto curriculum profissional". Mas quem? Um gajo que nunca fez nada na puta da vida senão andar a desfilar em associações, ordens e jotas? A sério, estamos mesmo neste ponto?

Estamos entregues a uma geração de jotinhas, uma geração que chega ao poder apoiada em degraus de favores e influências, degrau a degrau, até ao topo. Estamos perante uma total descredibilização da política, estamos a falar de controlo dos media e consequente controlo do Zé Povinho. Estamos a falar de uma geração de economistas de all-in e licenciados-às-três-pancadas que não têm o mínimo background fora da realidade política, passando a vida a reboque de jotas e maçonarias. Fantoches. Marionetes. Estamos entregues à bicharada. E como qualquer hiena que se preze, estas só largarão o osso quando não houver nem um pequeno vestígio de carne para rilhar.